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O retorno à casa paterna


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“Era necessário fazer festa, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, tinha-se perdido e foi encontrado.” (Lc15,32) Por que se alegrar com o retorno deste filho bastardo? A parábola do Pai misericordioso é uma preciosidade para a literatura mundial. Apresenta a face mais bela de Deus, que na lógica do mundo se desfaz com o mistério insondável do Criador. Se Deus é “compassivo e clemente, paciente e misericordioso” (Jn 4,2), não é de se estranhar que este Pai não agiria com misericórdia. Mas por que tal gesto de retorno à casa paterna provocou a agitação do filho mais velho? O protesto deste se vincula a uma ideia de retribuição. Afinal, tinha sido sempre obediente ao seu pai. Porém, na perspectiva da paternidade, o lar aqui descrito provoca no filho mais velho a necessidade de ser fraterno e romper com sua indiferença. Portanto, uma vida que provou do arrependimento merece ser celebrada. A “compaixão transformada em corrida de encontro” (STEINER, 2016) provoca rapidez paterna para ser amoroso. Não se perde tempo com palavras, mas se ganha sendo caridoso. O Papa Francisco lembra que a Igreja precisa ser semelhante ao “pai do filho pródigo, que continua com as portas abertas para quando este voltar, poder entrar sem dificuldade.” (2013, p.33)
Voltar à casa do pai é perceber que a lei do amor faz sentido nesta dimensão que liberta e não aprisiona. Alegrar-se por aquele que se arrependeu é entender que o amor fraterno é um ideal para todos nós cristãos e não faria sentido um sentimento deste restrito apenas a alguns. E se for preciso ir até o Pai, não sintamos receio, pelo contrário, sejamos corajosos para seguir este caminho. Sendo assim, não há motivo para se entristecer, pois que estava perdido, foi reencontrado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BÍBLIA DO PEREGRINO. São Paulo, Paulus, 2011.
FRANCISCO. Evangelli Gaudium A alegria do Evangelho: sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. São Paulo, Paulus, 2013
STEINER, D. Leonardo. O rosto da misericórdia. Brasília, Edições CNBB, 2016

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