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O sepulcro passou!


Autor: Cosme da Rocha – Seminarista e acadêmico do 1º período de Teologia do Instituto de Filosofia e Teologia do Espírito Santo (IFTES)

A lógica da cruz é misteriosa, pois anestesia a ideia de felicidade difundida em nosso mundo (FRANCISCO, 2018, p.82). São Paulo nos aponta para o alto, onde o Senhor está vitorioso, e lá, a nossa “vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3, 3). São Boaventura já dizia que “a nossa lógica” leva a uma alegria eterna e não de aparências. Não pertencemos mais às sombras da antiga culpa. Para os judeus, o sábado passou e agora, o povo pode voltar as suas tarefas. Mas há algo diferente: as mulheres ao visitarem o túmulo de Jesus testemunham a inexistência do corpo do Mestre. O sepulcro se tornou lugar de passagem. A natureza “treme”, pois o “grão que caiu na terra, produziu vida (Jo 12,24), e assim, todos podem “ter vida em abundância” (Jo 10,10). Aquele túmulo frio, sem vida, agora se encontra vazio. O anjo que surge na cena da ressurreição não tira a pedra, mas comunica que a vida venceu a morte. A alegria foi superior ao desespero. Os guardas tremem, pois de fato, os sistemas a que estão “atados” não deixam que os mesmos vivam o ideal cristão. O medo impossibilita as relações fraternas e leva à morte. Porém, o que aquelas mulheres veem agora gera um sentimento de muita alegria e o Senhor as pede: “Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia, lá me verão” (Mt 28,10).

A ressurreição de Jesus é motivo de alegria e exultação (Sl 118, 24), pois a todos que Ele se manifesta, tais alteram profundamente o seu viver. Páscoa é passagem, é caminho de mudança, transformação. Requer muitas vezes dores inimagináveis e dias de luto; todavia, Cristo foi fiel e por ser fiel, dignificou-nos novamente. Do Éden que outrora fomos expulsos (Gn 3,23), Jesus nos apresenta um novo jardim. As coisas antigas ficaram e com elas precisamos junto ao Mestre prosseguir. Mais uma vez Ele estará conosco e vitorioso, a morte já não usa mais de seu aguilhão (1 Cor 15,55).

Com o auxílio e cuidado de todos aqueles que querem o bem, venceremos esta pandemia e além disso, deixaremos para trás o “perigo da onipotência humana” (CANTALAMESSA, 2020) que extermina a vida e não a deixa germinar, pois onde o “vírus da morte” aparece, temos “de novo o jugo da escravidão” (Gl 5,1).

Portanto, tenhamos coragem, pois como Ele venceu o mundo (Jo 16,33), nós também conseguiremos sair desta situação temorosa. Eis a nossa certeza: Ele nos amou e por nós se entregou (Gl 2,20). Tenhamos uma Páscoa de esperança em tempos novos e abracemos esta certeza. Aleluia, aleluia.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA DO PEREGRINO. 3 ed. São Paulo: Paulus, 2011

BÍBLIA SAGRADA. Tradução Oficial da CNBB. 1 ed. Brasília: CNBB, 2018.

CANTALAMESSA, Raniero. Pregação da Sexta-feira da Paixão do Senhor. Roma, 2020. Disponível de: <https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-04/pregação-sexta-feira-paixao-raniero-cantalamessa-vaticano> Acesso em 11 Abr. 2020

FRANCISCO. Gaudete et Exsultate: sobre o chamado à santidade no mundo atual. São Paulo, Paulus, 2018.

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