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O verdadeiro sentido da vida


Autor: Cosme da Rocha Seminarista de São Mateus e acadêmico do 6º período de Filosofia do Centro Universitário Católico de Vitória

O verdadeiro sentido da vida

Num momento oportuno da história, ainda sem nenhuma ideia de ressurreição, a existência foi tida como absurda. Em Eclesiástico 40, percebe-se a “penosa sorte” dada a cada indivíduo, visto assim como uma cruz complicada para se carregar. Tal realidade é comum a todos, nem mesmo aquele que a tudo tem, não fica imune a tamanha realidade absurda da vida. No descansar da noite, o homem “fica perturbado pelos fantasmas de sua mente, como quem fugiu da linha de batalha” (Eclo40, 6b) mas, ao despertar, se vê novamente defronte com seus inúmeros desafios a enfrentar.

O verdadeiro sentido da vida acontece na fiel temeridade a Deus. Porém, escolhê-Lo nem sempre é tarefa fácil. Num mundo marcado por tantas formas de alienação, uma cultura segundo os ideais do consumo é tida como a garantidora da felicidade. Será? O Documento Final da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, “Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional” (2019, p.28-29) relata que “está crescendo, especialmente entre o jovens, a disseminação de formas de sofrimento psíquico, depressão” e o texto ainda fala acerca “do trágico fenômeno do suicídio.”Qual o motivo? Perceba a contradição a que chegamos: as pessoas estão “vazias” com o tudo dado a elas.

Tornar o coração repleto da graça é permitir viver uma vida voltada a Deus (cf. Hb 12, 9b). Por isso, desejar a autossuficiência é impossibilitar a autêntica condição humana a que cada um fora chamado: a de ser feliz com o outro! É fundamental vivermos em comunidade, e isso requer que “amemo-nos uns aos outros, […] e todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus.” (1 Jo 4, 7)Juntos, em comunidade, teremos a força para levarmos nossas cruzes. A alegria do cristão é resultado do bom humor. O oposto “não é um sinal de santidade,” já fala o Papa Francisco (2018, p.61) e assim, é preciso retirar toda a angústia presente no coração e se afastar de qualquer mal (cf. Ecl 11,10). Papa Francisco (2018, p.62) ainda diz sobre “àquela alegria que se vive em comunhão, que se partilha e comunica.”

Portanto, Jesus pede que frente a todas as condições temerosas da vida, o ser humano possa se levantar e erguer a cabeça (cf. Lc 21, 28) para que desta forma ele prossiga na sua caminhada lidando com todas as suas adversidades. No fim, assim como São Paulo, poderemos dizer que “o Senhor ficou comigo e me encheu de força, a fim de que eu pudesse anunciar a mensagem e ela chegasse aos ouvidos de todas as nações” (2 Tm 4, 17). Que o nosso pessimismo possa ser transformado em esperança, e esta, possa ser encontrada no Senhor.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA SAGRADA, Edição Pastoral. 45 ed. São Paulo: Paulus, 2002

FRANCISCO. Gaudete et Exsultate: sobre o chamado à santidade no mundo atual. 1 ed. São Paulo: Paulus, 2018

SÍNIDO DOS BISPOS. Os jovens, a fé e o discernimento vocacional: Documento final. 1 ed. São Paulo: Paulus, 2019

 

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