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18 de maio de 2018 | Categoria:

Pentecostes: a linguagem da unidade


Cosme da Rocha – Seminarista e acadêmico do 3º período de Filosofia do Centro Universitário Católico de Vitória

Todos desejam viver um bem comum, mas por muitas situações adversas não correspondem ao sonhado. São tantas visões decorrentes que o diferente se torna cada vez mais inválido. Se muitas reflexões existem e tudo é válido e permitido, não há mais uma realidade palpável a se fundamentar a trajetória humana. De fato, afirma Brüschke (2018) que “a verdade não é relativa, mas relacional – ou seja, ela é compreendida na relação dialógica.” Sem diálogo, não há comunhão, apenas divisões. Já diz o Papa Francisco (2018) para o 52º dia mundial das Comunicações Sociais: “No projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão.”

O acontecimento do Pentecostes impulsionou aos seus participantes a uma inimaginável experiência deste Pai. O Paráclito vem e provoca uma renovação indescritível para razões humanas. Mas esta presença não fora para um momento localizado apenas, mas para todos. A vinda do Espírito Santo gerou um conhecimento diferente. Um saber compreendido na perspectiva de um único falar. Já não há mais confusão! O Advogado prometido por Cristo (Cf. Jo 14,16) emana entendimento. Perceba: pela insensatez humana em amar criou-se uma “chaga” de divisão e agora, tal dor foi definitivamente curada. Assim, a manifestação do Espírito Santo promoveu a unidade na diversidade de carismas. “Mas tudo é realizado pelo mesmo e único Espírito, repartindo a cada um como ele quer” (1 Cor 12, 11).

A força santificadora da graça divina vem ao encontro daqueles que unidos em suas diferenças clamam ao Pai por uma verdadeira comunhão, tal proveniente apenas da fidelidade no seguimento ao mandato missionário de Jesus. Sendo fiel à ação do Espírito, cada um entenderá que seu dom criará uma única certeza: a linguagem do amor. Assim, mediante a promessa de Jesus, “e eu pedirei ao Pai que vos envie outro Valedor que esteja convosco sempre: o Espírito da verdade” (Jo 14, 16-17). Portando, com a certeza unificadora revelada pelo Defensor, não há mais um mundo de relativizações, mas o da presença amorosa do Ressuscitado e assim, “o missionário está convencido de que existe já, nas pessoas e nos povos, pela ação do Espírito, uma ânsia de conhecer a verdade acerca de Deus, do homem, do caminho que conduz à libertação do pecado e da morte”. (JOÃO PAULO II, 1990) O Intercessor gerará assim a unidade dita por Cristo e logo todos serão apenas um (Cf. Jo 17,21).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA DO PEREGRINO. Edição de estudo. Luís Alonso Schökel. Paulus, 2011

BRÜSCHKE, Klaus. Que pluralismo para o bem comum? Revista Cidade Nova, Ano LX, nº5, Maio 2018, p.9

FRANCISCO. A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32). Vaticano, 2018. Disponível de: <https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20180124_messaggio-comunicazioni-sociali.html> Acesso em 18 Mai 2018 às 15h47

JOÃO PAULO II. Redemptoris missio. Vaticano.7 de dezembro de 1990, 45: AAS 83.