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Valor da vida frente à economia


Autor: Mateus Venancio Pelanda – Seminarista e acadêmico do 3º período de Filosofia do Centro Universitário Salesiano - UniSales

Em tempos de pandemia do coronavírus (COVID-19), uma das preocupações é manter a população saudável e buscar meios para conter o avanço do vírus. Pelo menos deveria ser essa prioridade de todos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem recomendado medidas preventivas para manter a vida intacta. Uma delas é o isolamento social. Cabe à população, orientada pelos governantes, em sua liberdade e necessidade, exercer as medidas que julgarem convenientes.

Até então o isolamento social apresenta-se como o meio mais eficaz de se conter o avanço dessa pandemia. Porém, muitos não tem tratado com seriedade a gravidade da situação, ignorando as orientações fornecidas pelas autoridades de saúde e, por isso, as conseqüências do avanço da pandemia. Nota-se que a preocupação de alguns não é tanto com a saúde, mas de que o país não deve “parar”, pois a economia é diretamente afetada, impedindo o desenvolvimento. A preocupação com a economia não deixa de ser válida, porque é através dos recursos financeiros gerados pelos impostos na movimentação de mercado, que o país se mantém e, principalmente, os recursos para a área da saúde.

Mas frente a esse dilema é de se pensar o que realmente torna-se importante: preservar a vida ou não deixar a economia parar? Padre Zezinho, na música “Em prol da vida” (1994) inspirada no livro do Deuteronômio, permite uma profunda reflexão sobre a escolha que se deve fazer: “Diante de ti ponho a vida e ponho a morte. Mas tens que saber escolher. Se escolhes matar, também morrerás. Se deixas viver, também viverás. Então viva e deixa viver […]” (cf. Dt 30, 15-20).

Se escolhermos a economia, fazendo com que todos voltem a sua rotina normal, colocaremos vidas em risco, pois no momento o isolamento social ainda é a melhor prevenção. Se escolhermos a vida, a economia será afetada e o país deixa de crescer e com o tempo não haverá recursos para mantermos os hospitais e o funcionamento básico das redes públicas.

Os cálculos neste momento não devem ser somente financeiros. Deve-se levar em conta as vidas que serão ceifadas. Valeria a pena perder tantas vidas para manter a economia? O Brasil é um país rico, o agronegócio não para e os recursos naturais são explorados diariamente.

Diante de uma escolha que se deve fazer, a vida deveria ser priorizada; todos tem direito de viver. A Doutrina Social da Igreja também nos auxilia nessa reflexão quando afirma que “[…] O agir humano, quando tende a promover a dignidade e a vocação integral da pessoa, a qualidade das suas condições de existência, o encontro e a solidariedade dos povos e das nações, é conforme ao desígnio de Deus, que nunca deixa de mostrar o Seu amor e a Sua Providência para com Seus filhos”. (COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, 2005, p. 34).

Enfim, que nossas lideranças governamentais planejem uma estratégia futura para recuperação econômica. Vale a pena pensar que agora seja o momento de “apertar os cintos”, cortar gastos, remanejar recursos e replanejar a estratégia de governos, pois sem pensar no valor da humanidade de nada adianta salvar a economia.

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