Durante o III Mutirão de Comunicação Diocesano, realizado neste domingo, 13 de setembro, Dom Paulo Bosi Dal’Bó dirigiu uma reflexão especial aos agentes da Pastoral da Comunicação (PASCOM), destacando três atitudes que devem orientar a missão do comunicador cristão: cuidar do coração, servir e construir a reconciliação.
Com o tema “O comunicador cristão: alguém que perdoa, serve e comunica a vida”, a homilia partiu das leituras da liturgia deste domingo para relacionar a Palavra de Deus aos desafios vividos por quem atua na comunicação da Igreja, especialmente nas redes sociais.

Ao refletir sobre o livro do Eclesiástico (27,33–28,9), Dom Paulo chamou a atenção para a forma como o comunicador reage às críticas, opiniões diferentes, incompreensões e injustiças. Para o bispo, a comunicação cristã não pode se transformar em espaço de mágoa, julgamento, ironia ou violência verbal.
“Antes de perguntar ‘o que devo publicar?’, o comunicador cristão precisa perguntar: ‘o que existe dentro do meu coração quando eu comunico?’”, destacou.
Nesse sentido, Dom Paulo reforçou que não basta transmitir uma informação sobre Jesus: é necessário comunicar com o coração de Jesus. A PASCOM, segundo ele, é chamada a “construir pontes, não muros; aproximar, não dividir; favorecer o encontro, não alimentar conflitos”.

Comunicação como serviço
A segunda reflexão foi inspirada na Carta de São Paulo aos Romanos (14,7-9): “Ninguém de nós vive para si mesmo, e ninguém morre para si mesmo”.
Dom Paulo relacionou a passagem diretamente à missão dos agentes da PASCOM, lembrando que o comunicador cristão não trabalha para aparecer, receber curtidas ou conquistar seguidores, mas para servir.
Fotografar uma celebração, preparar uma arte, fazer uma transmissão, escrever uma notícia, produzir um vídeo ou administrar uma rede social são tarefas que, quando realizadas com espírito cristão, deixam de ser apenas atividades técnicas e se tornam serviço evangelizador.
O bispo também ressaltou que uma publicação deve levar o comunicador a se perguntar se aquilo ajuda alguém a encontrar Deus, aproxima as pessoas da comunidade, promove a verdade e gera esperança.

“O comunicador precisa ser construtor de reconciliação”
Ao abordar o Evangelho de Mateus (18,21-35), Dom Paulo apresentou a terceira dimensão da missão: a reconciliação. Recordando a pergunta de Pedro a Jesus sobre quantas vezes deveria perdoar, destacou que a comunicação possui uma força especial e pode tanto construir quanto ferir.
“Uma palavra pode ferir milhares de pessoas em poucos segundos. Uma postagem pode gerar uma onda de ataques. Uma notícia mal compreendida pode provocar divisão”, afirmou.
Por isso, segundo o bispo, o comunicador cristão também precisa aprender a comunicar o perdão. Isso significa não esconder a verdade ou deixar de denunciar aquilo que precisa ser denunciado, mas agir “sem ódio, sem vingança e sem desejo de destruir o outro”.
Dom Paulo também dirigiu uma palavra específica aos jovens pasconeiros, lembrando que eles vivem em um ambiente no qual a comunicação acontece o tempo todo e não são apenas consumidores, mas também produtores de conteúdo.
Para o bispo, ser jovem pasconeiro não significa apenas saber utilizar celular, câmera, Instagram, WhatsApp, TikTok ou outras ferramentas. “Ser pasconeiro é saber usar a comunicação para colocar o Evangelho em circulação”, afirmou.
Ao concluir a reflexão, Dom Paulo resumiu as três atitudes fundamentais apresentadas pela liturgia: no Eclesiástico, perdoar e cuidar do coração; em Romanos, servir e não viver para si mesmo; e, no Evangelho de Mateus, reconciliar e construir novas pontes.
“Antes de comunicar Jesus com nossas palavras, nossas imagens e nossas redes, precisamos permitir que Jesus comunique seu amor através da nossa vida”, concluiu.



