“Não podemos terceirizar para o robô a evangelização”, destaca Paulo Augusto durante formação da PASCOM
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Criatividade, inteligência artificial e a missão evangelizadora da Pastoral da Comunicação estiveram no centro da formação conduzida por Paulo Augusto Cruz durante o III Mutirão de Comunicação Diocesano, realizado neste domingo, 13 de setembro, na Paróquia São Marcos, em Nova Venécia.
Comunicador formado pela Universidade de Brasília (UnB), especialista em Narrativas Digitais e integrante da Assessoria de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Paulo compartilhou sua experiência profissional e sua trajetória na PASCOM, iniciada ainda na adolescência, quando ajudou a estruturar a Pastoral da Comunicação em sua paróquia.
A formação partiu do tema “Vinde e vede: da vida da comunidade ao conteúdo”, propondo aos agentes uma reflexão que foi além das ferramentas e técnicas utilizadas na comunicação. Logo no início, Paulo recordou que toda ação evangelizadora da Igreja passa pela comunicação e apresentou o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil como uma importante referência para os agentes da PASCOM.
Para o assessor, a missão da PASCOM não pode ser reduzida às redes sociais, fotografias, vídeos ou transmissões. Ao questionar o que aconteceria com a Pastoral da Comunicação caso as redes sociais deixassem de existir, ele chamou a atenção para aquilo que permanece independentemente das tecnologias: a missão de comunicar e evangelizar.
Nesse sentido, Paulo destacou que a comunicação da Igreja precisa partir daquilo que as comunidades realmente vivem. Não basta apresentar nas redes sociais uma paróquia acolhedora, por exemplo, se essa acolhida não acontece concretamente com quem chega à comunidade. Para ele, os meios digitais não constituem um universo separado da vida cristã, mas devem comunicar aquilo que a Igreja verdadeiramente é.
Inteligência artificial a serviço, e não no lugar, do comunicador
Um dos pontos que ganhou destaque durante a formação foi o uso da inteligência artificial. Paulo apresentou as novas tecnologias como ferramentas que podem auxiliar o trabalho dos agentes, inclusive na organização e produção de conteúdos, mas alertou para o risco de transferir às ferramentas aquilo que exige discernimento, conhecimento e experiência de fé.
“Não terceirizar para o robô a evangelização”, afirmou durante sua fala. A partir de exemplos práticos, explicou que uma inteligência artificial pode produzir uma legenda ou resumir determinado conteúdo, mas não substitui a leitura do Evangelho, a intimidade com Deus e o discernimento de quem recebeu a missão de comunicar.
A reflexão também mostrou que a inteligência artificial já está presente na rotina das pessoas mesmo quando elas não acessam diretamente uma ferramenta generativa. Algoritmos selecionam conteúdos e influenciam aquilo que cada pessoa encontra nas redes sociais, podendo inclusive reforçar divisões, preconceitos e conflitos.
Por isso, Paulo ressaltou a importância da formação dos comunicadores para compreender a cultura digital, reconhecer notícias falsas e conteúdos manipulados e ajudar as próprias comunidades a utilizarem os meios digitais de maneira mais consciente.
Conhecer aquilo que se comunica
Outro eixo da formação foi o conhecimento da própria Igreja. Paulo provocou os participantes a refletirem sobre quanto conhecem a mensagem, a comunidade e a instituição que são chamados a comunicar.
Para ele, acompanhar a caminhada da Igreja, conhecer seus documentos, o magistério, a realidade das comunidades e as orientações do Papa e dos bispos é parte da responsabilidade do agente da PASCOM. Sem esse conhecimento, existe o risco de reproduzir opiniões, informações imprecisas ou interpretações que não correspondem àquilo que a Igreja realmente comunica.
“Para evangelizar, nós precisamos conhecer a Deus”, destacou. A formação reforçou que a comunicação cristã nasce primeiro da experiência com a mensagem que será anunciada: antes de produzir o conteúdo, o comunicador também precisa ouvir, conhecer e viver aquilo que pretende comunicar.
Ao longo da atividade, dinâmicas e momentos de interação ajudaram a aproximar os temas da realidade dos agentes presentes. A formação integrou a programação do III Mutirão de Comunicação Diocesano, que neste ano teve como tema geral “Criatividade, inteligência artificial e comunicação integrada para evangelizar”.