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Festa de São Mateus celebra fé, história e os 275 anos da Paróquia

Com o tema “Com São Mateus, 275 anos de história e missão” e iluminada pelo lema “Vem e segue-me” (Mt 9,9), a Paróquia São Mateus celebrou, entre os dias 12 e 21 de setembro, a Novena e Festa do Glorioso São Mateus, Apóstolo e Evangelista, padroeiro da Diocese e da cidade de São Mateus.

Durante dez dias, a Catedral Diocesana recebeu fiéis de diferentes comunidades e paróquias para uma programação marcada pela celebração da Eucaristia, pela memória dos 275 anos de instalação da Paróquia e pelo reencontro com sacerdotes que fizeram e fazem parte de sua história.

O novenário também ajudou a percorrer a trajetória da Igreja em São Mateus. A cada noite, foram recordados capítulos dessa caminhada, desde a antiga presença missionária na região até a instalação da Paróquia, a chegada dos Missionários Combonianos, a criação da Diocese de São Mateus e outros acontecimentos que marcaram a evangelização no território diocesano.

Nove noites de novena: Palavra, história e missão

A primeira noite, em 12 de setembro, foi presidida pelo Pe. Aldir Roque Lóss, que refletiu sobre as dimensões da fé cristã, professada, celebrada, vivida e rezada, e sobre a centralidade da Eucaristia na vida do cristão.

No domingo (13), Pe. Erasmo Marques de Brito conduziu a reflexão a partir do Evangelho sobre o perdão, apresentado como caminho de libertação, recordando também a conversão de Mateus e o olhar misericordioso de Jesus.

A terceira noite, em 14 de setembro, coincidiu com a Festa da Exaltação da Santa Cruz e teve a celebração presidida pelo Pe. João Custódio Cosmi Cunha.

No dia 15, Pe. Belmiro Ohnezzorge refletiu sobre as dores de Maria e sua permanência junto à cruz, apresentando Nossa Senhora como exemplo de fé e firmeza diante das provações.

A quinta noite (16) foi presidida pelo Pe. Edivaldo Luís Klipel. A partir do Hino à Caridade, o sacerdote destacou o amor como caminho indispensável à vida cristã e a importância de acolher a Palavra de Deus com maturidade.

Na sexta noite (17), Pe. Valdinei Soares dos Santos refletiu sobre o encontro de Jesus com a mulher pecadora na casa de Simão, destacando o olhar misericordioso de Cristo, que não reduz a pessoa aos erros do passado, mas oferece perdão e a possibilidade de uma nova história.

No dia 18, Pe. Raimundo Nonato Resende, reitor do Santuário Nacional de São José de Anchieta, relacionou São Mateus e São José de Anchieta como referências para a missão: um pela escrita do Evangelho e o outro pela dedicação ao anúncio do Evangelho em terras brasileiras.

A oitava noite, no sábado (19), foi presidida pelo Pe. Fernando Forza. A programação daquele dia também foi marcada pela Romaria das Famílias, que saiu da Capelinha, em Guriri, em direção à Catedral.

Encerrando as nove noites da novena, no domingo (20), Pe. Raimundo Rocha, Provincial dos Missionários Combonianos do Brasil, refletiu sobre a parábola dos trabalhadores da vinha, destacando a gratuidade e a generosidade de Deus.

Relíquias de santos marcaram o novenário

A programação contou ainda com a presença de relíquias de santos ligados, de diferentes maneiras, à história da Igreja e à evangelização da região.

No dia 17 de setembro, a comunidade acolheu uma relíquia de São Francisco de Assis, por ocasião do Jubileu Franciscano.

No dia seguinte, 18 de setembro, a Catedral recebeu uma relíquia de São José de Anchieta, entregue para permanecer na Diocese. A celebração recordou também a passagem histórica do missionário pela região do Rio Cricaré, em 1596, ligada à origem do nome São Mateus.

Na nona noite, celebrada em 20 de setembro, foi entronizada uma relíquia de São Daniel Comboni. A ocasião também recordou a presença dos Missionários Combonianos e o episódio ocorrido em São Mateus relacionado à cura de Maria José da Oliveira Paixão, reconhecido no processo que levou à beatificação de São Daniel Comboni.

A programação festiva contou ainda com a presença da relíquia de São Mateus, reforçando a ligação da comunidade com seu padroeiro.

275 anos de história

A Festa de São Mateus deste ano teve um significado especial pela celebração dos 275 anos de instalação da Paróquia São Mateus.

Durante o novenário, a comunidade revisitou acontecimentos que atravessaram quase três séculos e ajudam a compreender a formação e o desenvolvimento da Igreja no território que hoje constitui a Diocese de São Mateus.

Entre os fatos recordados estiveram a presença missionária na região, a instalação da Paróquia, a chegada dos Missionários Combonianos ao norte capixaba, a criação da Diocese de São Mateus em 1958, a atuação de seus bispos, a formação de novas comunidades e paróquias, a criação dos seminários e a construção da atual Catedral.

No dia da festa, Dom Paulo Bosi Dal’Bó também situou os 275 anos da Paróquia São Mateus ao lado de outros importantes marcos da caminhada diocesana: os 195 anos de evangelização da Paróquia Imaculada Conceição, em Conceição da Barra, e os 70 anos da Paróquia Arcanjo São Gabriel.

Dia de São Mateus reúne a Diocese na Catedral

O décimo dia da programação, 21 de setembro, foi dedicado à Festa do Glorioso São Mateus, Apóstolo e Evangelista.

As celebrações começaram às 7h, com Santa Missa presidida por Mons. Emílio González Escalada e com a presença do Seminário Maior São Mateus.

À tarde, a Catedral voltou a receber os fiéis para o ponto alto da festa. Às 16h, Dom Paulo Bosi Dal’Bó presidiu a Missa Solene, seguida de procissão pelas ruas da cidade de São Mateus.

A celebração reuniu fiéis de diferentes comunidades e paróquias e contou com a presença de bispos, presbíteros, religiosos e religiosas, seminaristas, leigas consagradas e representantes de diferentes instituições.

Entre os presentes estavam Dom Lauro Sérgio Versiani Barbosa, bispo de Colatina; Dom Aldo Gerna, bispo emérito de São Mateus; e Dom Décio Sossai Zandonade, bispo emérito de Colatina. Também participaram representantes de outras Igrejas particulares e o Pe. Raimundo Rocha, Provincial dos Missionários Combonianos.

“Jesus acolhe, chama, transforma e envia”

Na homilia da Missa Solene, Dom Paulo partiu do Evangelho que narra o chamado de Mateus: “Segue-me!”. A partir do encontro de Jesus com aquele que estava sentado na coletoria de impostos, o bispo conduziu a reflexão para a missão da Igreja e para o caminho pastoral que a Diocese se prepara para percorrer nos próximos anos.

Dom Paulo destacou especialmente o acolhimento, assumido como uma das prioridades diocesanas para o período de 2026 a 2032. Em sua reflexão, ressaltou a necessidade de uma Igreja capaz de olhar e abrir espaço para as pessoas, inclusive para quem chega, para quem se afastou e para quem procura novamente um lugar na comunidade.

Ao sintetizar o movimento presente no Evangelho, afirmou: “Jesus acolhe, chama, transforma e envia”. A partir dessa dinâmica, apresentou também as demais prioridades da Diocese: serviço, promoção da vida plena para todos, formação de comunidades de discípulos missionários, formação e espiritualidade.

A procissão pelas ruas da cidade, após a Missa Solene, encerrou os dez dias de programação em honra ao padroeiro.

Celebrar São Mateus em 2026 foi também revisitar uma história construída por gerações. Dos primeiros passos da evangelização à atual caminhada pastoral, os 275 anos da Paróquia São Mateus revelam uma presença que atravessa séculos e continua sendo escrita nas comunidades, nas vocações e na missão da Igreja no norte capixaba.

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