Neste mês de agosto somos convidados a nos unirmos em oração pelas vocações, para que cada cristão batizado responda de maneira sincera ao chamado realizado pelo próprio Cristo, que nos convida a ser “santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1,4). Ao abraçar este dom precioso que o Senhor concede a cada um, somos conduzidos a viver a plenitude do amor e do serviço, tornando-nos verdadeiras Comunidades Vocacionais.
Inspirados pelo tema do nosso 5º Congresso Vocacional Nacional, “Comunidades Vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão”, somos chamados a reavivar nossa vocação através de uma resposta de coração sincero dirigida a Deus e aos irmãos.
Com o olhar voltado para o modelo de comunidade apresentado nos Atos dos Apóstolos, percebemos como aqueles que foram chamados pessoalmente por Jesus viviam a comunhão e colocavam em prática um estilo de vida nascido do convívio com o Mestre. O congresso destaca de forma especial, através de seu lema (At 2,46): “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas”. É na fração do pão que a comunidade se edifica e testemunha sua fé, tornando-se sinal vivo da presença de Cristo.
O Documento de Aparecida recorda que “a vocação ao discipulado missionário é convocação à comunhão em sua Igreja. Não há discipulado sem comunhão” (DAp, n. 156). Cada pessoa que escuta a Palavra é chamada a formar um só corpo, que é a Igreja. A vocação não é apenas algo que orienta as ações da Igreja, mas faz parte da sua própria essência. Já no nome Ecclesia está presente a ideia de convocação, mostrando que a Igreja é, desde o início, profundamente vocacional (CNBB 44).
A Igreja é chamada a ser uma comunidade vocacional, e isso só acontece quando ela se renova pela conversão missionária de suas estruturas e atitudes. Essa renovação faz parte do próprio mistério da Igreja, que mostra sua identidade de forma mais clara na missão vocacional. Assim como as primeiras comunidades cristãs, também hoje somos chamados a viver a comunhão dos que são “um só coração e uma só alma” (At 4,32). Somos membros do mesmo Corpo (cf. 1Cor 10,17), alimentados pelo mesmo Pão e pelo mesmo Cálice, e enviados como sinal de comunhão no amor.
Como nos recorda o texto base do congresso, “O encontro indica um aspecto constitutivo da comunidade apostólica, ela era reconhecida como lugar de encontro com o Senhor e do encontro entre irmãos” (CNBB n. 40). Portanto, a vocação não se limita a uma dimensão individual, mas se realiza plenamente na vida comunitária, onde o encontro com Cristo se torna encontro com os irmãos.
Neste mês, somos convidados não apenas a rezar pelas vocações, mas também a cultivar uma verdadeira cultura vocacional em nossas comunidades, criando ambientes de escuta, discernimento e acompanhamento, onde cada pessoa possa descobrir e viver sua vocação como dom para a Igreja e para o mundo.
Seminarista Victor Hugo de Souza I Coordenação do Serviço de Animação Vocacional – SAV


