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“Comunicar é também uma missão”, afirma Dom Paulo em carta aos comunicadores


Diocese de São Mateus-ES, 08 de maio de 2026

Amados irmãos e irmãs, minha saudação fraterna,

No espírito de obediência e comunhão com o Papa Leão XIV, venho com alegria, informar aos agentes da Pastoral da Comunicação e a todos os envolvidos na comunicação diocesana, que de 10 a 17 de maio, celebraremos a Semana das Comunicações Sociais, culminando no dia 17, Dia Mundial das Comunicações Sociais. Este ano, celebramos os 60 anos desta importante data, que ecoa em todo o mundo. O Papa Leão, em sua reflexão, destacou a importância de “preservar vozes e rostos humanos”, um tema de profunda relevância para nós. Destaco aqui o apelo do Papa sobre a importância do uso ético da inteligência artificial, aproveitando este recurso como fonte inspiradora para o bem, em consonância com os valores cristãos, crescendo em humanidade e conhecimento. Deste modo, o Papa Leão XIV destaca em sua carta:

“O rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro… Rosto e voz são sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu… Desde o momento da criação, Deus quis o ser humano como seu interlocutor… Nos últimos anos, os sistemas de inteligência artificial estão a assumir cada vez mais o controlo da produção de textos, música e vídeos. Grande parte da indústria criativa humana corre o risco de ser destruída e substituída pela etiqueta ‘Powered by AI’, transformando as pessoas em meros consumidores passivos de pensamentos não pensados, de produtos anónimos, sem autoria nem amor”. 

Somos convidados a olhar com mais profundidade para a forma como nos comunicamos, dentro e fora de nossas comunidades. A comunicação, recorda-nos o Santo Padre, não é apenas transmissão de informações, mas um verdadeiro encontro de corações.

Vivemos tempos em que as palavras são muitas, mas nem sempre constroem pontes. Por isso, somos chamados a resgatar uma comunicação que nasce da escuta atenta, do respeito e da verdade. Escutar, antes de falar, torna-se um gesto profundamente evangélico. É primordial reconhecer a dignidade do outro e acolher sua história.

O caminho proposto também nos convida a abandonar toda forma de comunicação que gera divisão, ruído ou desinformação. Em seu lugar, devemos cultivar palavras que edificam, que curam feridas e que promovem a unidade. A comunicação cristã deve ser marcada pela clareza, mas também pela caridade, pois a verdade sem amor pode ferir, e o amor sem verdade se perde.

Outro ponto essencial é o testemunho. Não basta falar bem, é preciso viver aquilo que comunicamos. A coerência entre palavra e vida é a linguagem mais convincente que podemos oferecer ao mundo. Em meio às redes sociais, aos meios digitais e às conversas cotidianas, somos chamados a ser sinais de esperança e não de desânimo.

Por fim, somos lembrados de que comunicar é também uma missão. Cada gesto, cada palavra, cada silêncio pode revelar a presença de Deus. Assim, a comunicação torna-se um instrumento de evangelização, capaz de tocar os corações e aproximar as pessoas.

Aproveito a oportunidade para convidar a todos os agentes da PASCOM e demais comunicadores a participarem de toda a programação da 7ª Semana de Comunicação, mas principalmente da formação que acontecerá nas foranias Praiana, Baiana e Mineira no dia 17 de maio e na Forania Capixaba no dia 31 de maio, conforme a carta enviada pelo secretariado de pastoral. Não deixem esta oportunidade passar, participem.

Muito obrigado aos agentes da PASCOM e a todos os demais comunicadores. Que possamos, enquanto comunicadores do Evangelho, assumir esse compromisso: comunicar com verdade, com amor e com responsabilidade, sendo instrumentos de paz em um mundo que tanto precisa de reconciliação, uma verdadeira humanidade regada de amor e paz.

Com estima fraterna,

Dom Paulo Bosi Dal´Bó

Bispo diocesano

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