ENCONTRO DIOCESANO DAS COMISSÕES – 07/03/2026
Queridos irmãos e irmãs, presbíteros, religiosos e religiosas, seminaristas, leigos e leigas, coordenadores de pastorais, movimentos, ministérios e serviços. Hoje, não estamos reunidos apenas para uma reunião ou planejamento pastoral. Estamos reunidos, porque o Espírito Santo nos convocou.
Cada um que está aqui, carrega uma história de fé, de serviço, de dedicação silenciosa. Quantas vezes vocês deixam suas casas, suas famílias, seu descanso, para servir a Igreja? E isso tem um valor imenso diante de Deus.
A Igreja vive hoje, um tempo especial, o tempo da sinodalidade. Ser sinodal significa lembrar algo essencial, ninguém caminha sozinho na missão. É preciso caminhar juntos, escutar juntos, discernir juntos e anunciar juntos. Isso é sinodalidade.
A Igreja não é construída por uma pessoa apenas, nem por um grupo isolado. A Igreja se constrói, quando presbíteros, religiosos, vida consagrada, leigos(as) caminham juntos, escutando-se, respeitando-se e colaborando na mesma missão.
Como nos recorda Jesus Cristo: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles.” (Mt 18,20). E quando Cristo está no meio, a missão ganha força, a esperança renasce e a comunidade cresce.
Destaco aqui alguns pontos fundamentais para o encontro de hoje:
1. A beleza de servir: Ser liderança na Igreja não é ocupar um cargo, mas assumir uma vocação de serviço. Liderança cristã não é poder. É lavar os pés um dos outros, como fez Jesus. Quem coordena uma pastoral, um movimento ou um ministério carrega uma missão preciosa: animar, cuidar, reunir, motivar e evangelizar. Muitas vezes o trabalho é silencioso, às vezes, cansativo e nem sempre reconhecido. Mas Deus vê cada gesto, cada reunião preparada, cada visita feita, cada pessoa acolhida. Nada do que é feito por amor se perde. E isso reforça a comunhão, participação e missão.
2. Comunhão, a força da Igreja. Uma pastoral isolada se enfraquece. Uma pastoral em comunhão se multiplica, precisamos superar qualquer forma de competição pastoral, de fechamento ou de divisão entre os seus membros. A Igreja não é um conjunto de grupos separados. A Igreja é um só corpo e cada pastoral, cada movimento, cada serviço, cada ministério é parte integrante desse corpo. Quando caminhamos juntos, a missão se fortalece, as comunidades se animam, o Evangelho chega mais longe e quando um membro se fortalece, todo o corpo cresce.
3. Participação: todos têm lugar. A Igreja não é obra de poucos. Ela é o povo de Deus em caminhada, ou seja, o povo de Deus a caminho. O Espírito Santo de Deus distribui dons e carismas diferentes e todos são necessários: o presbítero que anima e pastoreia o povo de Deus; os Religiosos, religiosas e leigas consagradas que testemunham o Reino com sua consagração; os seminaristas que se preparam para o ministério ordenado; os leigos e leigas que anunciam o Evangelho e transformam a realidade no cotidiano. Ninguém é dispensável na missão da Igreja.
Essa diversidade não é um problema; é uma riqueza da Igreja. Como nos recorda o próprio Jesus Cristo: “Que todos sejam um, para que o mundo creia.” (Jo 17,21). Quando caminhamos em comunhão, o Evangelho se torna mais credível e mais luminoso no meio do mundo.
4. Missão, razão de tudo. Se estamos aqui hoje, é porque a Igreja existe para evangelizar. Como anunciar melhor o Evangelho em nossa realidade hoje? O nosso trabalho pastoral não é apenas manter estruturas ou atividades, nossa missão é levar Cristo às pessoas. Ainda existem muitos corações sedentos de Deus. O mundo continua sedento de esperança, famílias feridas precisando de apoio, jovens em busca de sentido, pessoas desanimadas, pobres e esquecidos que esperam gestos concretos de amor. E Deus conta conosco para chegar às diversas realidades.
5. Não perder a alegria da missão. Mesmo diante dos desafios, não podemos perder algo fundamental: a alegria de servir. A alegria do Evangelho nasce, quando percebemos que Deus age através de nós, mesmo com as nossas limitações. Como nos dizia o saudoso Papa Francisco: “A Igreja cresce por atração, pelo testemunho alegre de quem vive o Evangelho.”
6) ASSEMBLEIA DIOCESANA: Na alegria do Evangelho, a missão continua, por isso aproveito a oportunidade para reforçar o caminho sinodal em preparação a nossa Assembleia Geral Diocesana. Estamos nos aproximando de um momento muito importante para nossa caminhada eclesial: a 22ª Assembleia Diocesana de Pastoral. Não se trata apenas de um evento administrativo ou de um planejamento estratégico. Trata-se de um tempo de graça, um momento em que a Igreja se reúne para discernir a vontade de Deus para o nosso tempo e para a nossa realidade.
Chegamos até aqui, depois de um caminho muito significativo: escutamos o povo de Deus na síntese do processo sinodal, acolhemos as luzes trazidas pela visita pastoral do bispo diocesano às comunidades e nos deixamos iluminar pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, propostas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (em construção).Tudo isso revela algo muito bonito: uma Igreja que escuta, que discerne e que caminha junta, aberta à ação do Espírito Santo de Deus.
a) Uma Igreja que escuta o Espírito:
A Assembleia Diocesana não é apenas um espaço de decisões humanas. É antes de tudo, um espaço de escuta ao Espírito Santo. Um dos métodos adotado em nossa Diocese é justamente a “CONVERSA NO ESPÍRITO”. Este método tem ajudado muito em nosso processo de discernimento e crescimento pastoral. Além de escutar o Espírito de Deus, aprendemos a escutar o outro e acolher o que o Espírito suscitou em seu coração.
Quando a Igreja se reúne em oração, aberta a ação do Espírito Santo de Deus, ao diálogo e ao discernimento, ela repete a experiência da primeira comunidade cristã narrada nos Atos dos Apóstolos, quando disseram: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…” (At 15,28). Essa é a grande atitude que devemos cultivar: escutar juntos aquilo que Deus quer para a nossa Diocese.
O caminho sinodal nos recorda algo essencial, todos têm lugar na Igreja e todos têm algo a oferecer. A Assembleia Diocesana é justamente esse espaço onde cada voz, cada experiência pastoral, cada realidade das comunidades ajuda a iluminar o caminho. A nossa Assembleia reunirá diferentes vocações e ministérios e ninguém está no processo de construção apenas para ouvir. Todos estão neste processo para contribuir, discernir, construir e caminhar juntos.
b) Uma Igreja sempre missionária:
Além da comunhão e participação, mencionados acima, destaco aqui, com maior ênfase a importância da missão. O objetivo final da Assembleia não é apenas organizar estruturas, mas renovar a missão evangelizadora. Tudo o que está e será refletido, rezado e decidido, deve responder a uma pergunta fundamental já mencionada no texto acima: Como anunciar melhor o Evangelho em nossa realidade hoje? A Assembleia deve nos ajudar a ser uma Igreja cada vez mais acolhedora e missionária, próxima das pessoas e aberta às necessidades do nosso tempo.
É bom destacar aqui também, que antes da Assembleia Diocesana, além dos questionários e assembleias paroquiais, ainda teremos o encontro diocesano das Comunidades Eclesiais, no dia 23 de maio, deste ano.
Por isso, queridos irmãos e irmãs, que possamos chegar a esta Assembleia com o coração aberto, com espírito de oração e com verdadeira disponibilidade para o discernimento. Não vamos apenas discutir ideias. Vamos buscar juntos os caminhos de Deus para nossa Igreja particular.
Que cada participante esteja aberto à ação do Espírito Santo de Deus e leve consigo para os grupos de reflexão e para a Assembleia três atitudes fundamentais: escuta, para acolher a voz do Espírito e dos irmãos; comunhão, para caminhar juntos como Igreja; missão, para que tudo o que decidirmos gere vida e evangelização.
– Que a nossa Assembleia Diocesana seja um verdadeiro cenáculo pastoral, onde reunidos em nome de Cristo, possamos escutar o Espírito e renovar nossa missão. E que possamos sair dela mais unidos, mais motivados, mais acolhedores e missionários, conscientes de que a Igreja continua viva, quando caminha unida, quando discerne com fé e quando se coloca em missão.
Que Deus abençoe esse caminho e conduza nossa Diocese com sabedoria, unidade e ardor missionário.
Dom Paulo Bosi Dal´Bó
Bispo diocesano


