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A importância da comunicação divina na garantia da vida


Autor: Cosme da Rocha – Seminarista e acadêmico do 1º período de Teologia do Instituto de Filosofia e Teologia do Espírito Santo (IFTES)

Comunicar sempre esteve em nosso enredo antropológico. Desde a criação, o poder da palavra foi modelando as nossas condições humanas. Pelo “façamos” (Gn 1, 26), um ser à imagem de Deus fora feito: “Eu”. O “feito da terra” ganhou a semelhança divina, ou seja, criaturas feitas, caminhamos pela razão, para nos aproximarmos do Criador (BASÍLIO, 1998). Deus comunicou a sua bondade nos criando (ATANÁSIO, s.d.), disse a cada um de nós, desde a nossa concepção, o quanto nos ama e deseja que ao amarmos o outro, narremos as mais belas histórias nesta “saga” que em certos momentos teríamos muitas perturbações (Sl 42,12), mas Ele mesmo disse que não nos deixaria órfãos. Daria o Espírito da Verdade, aquilo que o mundo não fora capaz de receber (Jo 14, 17-18). Em Cristo, a nossa condição decaída pelo pecado é dignificada, pois a palavra criadora de outrora, teve compaixão e as trevas que nos envolviam, foram suprimidas pela ação do Verbo (Jo 1,5).

O Papa Francisco, na mensagem para o 54° dia Mundial das Comunicações Sociais, convida-nos a valorizar estas histórias que nos marcam, emocionam, cativam e dão esperança em tempos de crise. Com o texto do Êxodo, vemos que Deus é o Senhor da nossa história: “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2). O Senhor não abandona seu povo e revela na história tamanha bondade que misteriosamente nos encanta e nos faz caminhar, apesar das dores da vida. É verdade que a nossa história começou a ser narrada não segundo os desígnios divinos: quisemos não SER e desejamos a todo custo TER. Não fomos capazes de comunicar a beleza da sua obra e o nosso zelo para com ela tem sido catastrófico nos últimos anos da humanidade.

Decerto, nem todas as muitas histórias vividas por nós tiveram finais felizes, mas há uma História que superou a nossa crise primeira: a história do amor que não nos abandonou. Deus continua a narrar a nossa esperança em tempos melhores. Segundo o Papa Francisco (2020) “cada história humana tem uma dignidade incancelável” e assim, querer admitir que não temos mais motivos para descrever tantas belas narrativas é ir contra o sonho de Deus: “Que todos sejam um” (Jo 17,21), e aquilo que num capítulo de nossa existência, abandonamos o autor da vida, para viver “a minha exclusiva história”, fomos readmitidos a esta narrativa, em que não somos donos do “ponto final”, mas a todo momento estamos sujeitos a mudanças. O Autor deste roteiro nos quis aqui não como meros objetos, e sim, como os seres mais capazes de ressignificar a vida mediante as tantas crises que ainda teremos de enfrentar. “Nunca é inútil narrar a Deus a nossa história” (FRANCISCO, 2020). Façamos isso quantas vezes for preciso e o Senhor da História nos mostrará os caminhos que teremos de escolher. O Seu amor nos comunicou que a vida venceu a morte.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BASÍLIO DE CESAREIA. Homilias sobre a origem do Homem. São Paulo: Paulus, 1998.

BÍBLIA SAGRADA. Tradução Oficial da CNBB.1 ed. Brasília: CNBB, 2018.

FRANCISCO.Mensagem do Papa Francisco para LIV dia Mundial das Comunicações Sociais. 2020.Disponível de: <http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html> Acesso em 23 Mai.2020.

SANTO ATANÁSIO. A encarnação do Verbo. S.d. Disponível de: <https://ortodoxia.pt/data/Patristica-18.pdf> Acesso em 23 Mai. 2020.

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