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A importância da comunicação divina na garantia da vida

Comunicar sempre esteve em nosso enredo antropológico. Desde a criação, o poder da palavra foi modelando as nossas condições humanas. Pelo “façamos” (Gn 1, 26), um ser à imagem de Deus fora feito: “Eu”. O “feito da terra” ganhou a semelhança divina, ou seja, criaturas feitas, caminhamos pela razão, para nos aproximarmos do Criador (BASÍLIO, 1998). Deus comunicou a sua bondade nos criando (ATANÁSIO, s.d.), disse a cada um de nós, desde a nossa concepção, o quanto nos ama e deseja que ao amarmos o outro, narremos as mais belas histórias nesta “saga” que em certos momentos teríamos muitas perturbações (Sl 42,12), mas Ele mesmo disse que não nos deixaria órfãos. Daria o Espírito da Verdade, aquilo que o mundo não fora capaz de receber (Jo 14, 17-18). Em Cristo, a nossa condição decaída pelo pecado é dignificada, pois a palavra criadora de outrora, teve compaixão e as trevas que nos envolviam, foram suprimidas pela ação do Verbo (Jo 1,5).

O Papa Francisco, na mensagem para o 54° dia Mundial das Comunicações Sociais, convida-nos a valorizar estas histórias que nos marcam, emocionam, cativam e dão esperança em tempos de crise. Com o texto do Êxodo, vemos que Deus é o Senhor da nossa história: “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2). O Senhor não abandona seu povo e revela na história tamanha bondade que misteriosamente nos encanta e nos faz caminhar, apesar das dores da vida. É verdade que a nossa história começou a ser narrada não segundo os desígnios divinos: quisemos não SER e desejamos a todo custo TER. Não fomos capazes de comunicar a beleza da sua obra e o nosso zelo para com ela tem sido catastrófico nos últimos anos da humanidade.

Decerto, nem todas as muitas histórias vividas por nós tiveram finais felizes, mas há uma História que superou a nossa crise primeira: a história do amor que não nos abandonou. Deus continua a narrar a nossa esperança em tempos melhores. Segundo o Papa Francisco (2020) “cada história humana tem uma dignidade incancelável” e assim, querer admitir que não temos mais motivos para descrever tantas belas narrativas é ir contra o sonho de Deus: “Que todos sejam um” (Jo 17,21), e aquilo que num capítulo de nossa existência, abandonamos o autor da vida, para viver “a minha exclusiva história”, fomos readmitidos a esta narrativa, em que não somos donos do “ponto final”, mas a todo momento estamos sujeitos a mudanças. O Autor deste roteiro nos quis aqui não como meros objetos, e sim, como os seres mais capazes de ressignificar a vida mediante as tantas crises que ainda teremos de enfrentar. “Nunca é inútil narrar a Deus a nossa história” (FRANCISCO, 2020). Façamos isso quantas vezes for preciso e o Senhor da História nos mostrará os caminhos que teremos de escolher. O Seu amor nos comunicou que a vida venceu a morte.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BASÍLIO DE CESAREIA. Homilias sobre a origem do Homem. São Paulo: Paulus, 1998.

BÍBLIA SAGRADA. Tradução Oficial da CNBB.1 ed. Brasília: CNBB, 2018.

FRANCISCO.Mensagem do Papa Francisco para LIV dia Mundial das Comunicações Sociais. 2020.Disponível de: <http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html> Acesso em 23 Mai.2020.

SANTO ATANÁSIO. A encarnação do Verbo. S.d. Disponível de: <https://ortodoxia.pt/data/Patristica-18.pdf> Acesso em 23 Mai. 2020.

Valor da vida frente à economia

Em tempos de pandemia do coronavírus (COVID-19), uma das preocupações é manter a população saudável e buscar meios para conter o avanço do vírus. Pelo menos deveria ser essa prioridade de todos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem recomendado medidas preventivas para manter a vida intacta. Uma delas é o isolamento social. Cabe à população, orientada pelos governantes, em sua liberdade e necessidade, exercer as medidas que julgarem convenientes.

Até então o isolamento social apresenta-se como o meio mais eficaz de se conter o avanço dessa pandemia. Porém, muitos não tem tratado com seriedade a gravidade da situação, ignorando as orientações fornecidas pelas autoridades de saúde e, por isso, as conseqüências do avanço da pandemia. Nota-se que a preocupação de alguns não é tanto com a saúde, mas de que o país não deve “parar”, pois a economia é diretamente afetada, impedindo o desenvolvimento. A preocupação com a economia não deixa de ser válida, porque é através dos recursos financeiros gerados pelos impostos na movimentação de mercado, que o país se mantém e, principalmente, os recursos para a área da saúde.

Mas frente a esse dilema é de se pensar o que realmente torna-se importante: preservar a vida ou não deixar a economia parar? Padre Zezinho, na música “Em prol da vida” (1994) inspirada no livro do Deuteronômio, permite uma profunda reflexão sobre a escolha que se deve fazer: “Diante de ti ponho a vida e ponho a morte. Mas tens que saber escolher. Se escolhes matar, também morrerás. Se deixas viver, também viverás. Então viva e deixa viver […]” (cf. Dt 30, 15-20).

Se escolhermos a economia, fazendo com que todos voltem a sua rotina normal, colocaremos vidas em risco, pois no momento o isolamento social ainda é a melhor prevenção. Se escolhermos a vida, a economia será afetada e o país deixa de crescer e com o tempo não haverá recursos para mantermos os hospitais e o funcionamento básico das redes públicas.

Os cálculos neste momento não devem ser somente financeiros. Deve-se levar em conta as vidas que serão ceifadas. Valeria a pena perder tantas vidas para manter a economia? O Brasil é um país rico, o agronegócio não para e os recursos naturais são explorados diariamente.

Diante de uma escolha que se deve fazer, a vida deveria ser priorizada; todos tem direito de viver. A Doutrina Social da Igreja também nos auxilia nessa reflexão quando afirma que “[…] O agir humano, quando tende a promover a dignidade e a vocação integral da pessoa, a qualidade das suas condições de existência, o encontro e a solidariedade dos povos e das nações, é conforme ao desígnio de Deus, que nunca deixa de mostrar o Seu amor e a Sua Providência para com Seus filhos”. (COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, 2005, p. 34).

Enfim, que nossas lideranças governamentais planejem uma estratégia futura para recuperação econômica. Vale a pena pensar que agora seja o momento de “apertar os cintos”, cortar gastos, remanejar recursos e replanejar a estratégia de governos, pois sem pensar no valor da humanidade de nada adianta salvar a economia.

A Espiritualidade Mariana em tempos de Pandemia

A Virgem Maria é fonte de inspiração para numerosos cristãos, que sempre recorrem a ela em tempos de aflição espiritual em busca de conforto para a alma, ou quando em tempos de bonança para agradecer os benefícios alcançados.

Maria foi a primeira a ser evangelizada ao receber em sua presença o Anjo (Lc, 1 26-28) enviado do Pai, para anunciar-lhe a Encarnação do Verbo Divino. Foi a primeira a receber com solicitude a mensagem da salvação ao acolher em seu ventre virginal o Verbo encarnado, o “Filho de Deus” (Lc 1, 35). Em concordância como teólogo Clodovis Boff, afirmamos que Maria teve a primazia na obra da evangelização, pois ao visitar sua prima Isabel (Lc 1, 39-45) ela “aparece […] como a ‘primeira evangelizadora’, que leva por primeiro a mensagem da Boa-Nova: O Messias Salvador chegou, isso porém depois de ter sido a ‘primeira evangelizada’” (BOFF, 2009, p. 44), e se tornar por meio da evangelização do anjo o “cofre que guarda o Tesouro” ou “a arca da Aliança” (BOFF, 2009, p. 18).

Ao se identificar como serva humilde do Senhor (Lc 1, 48), Maria nos ensina uma virtude muito cara e pouco assimilada no presente. Vive-se hoje a agitação motivada pelo mercado de consumo, que incita no ser humano desejos por vezes egóicos (egoístas) em que o ter é posto numa perspectiva superior ao ser. Com isso a reciprocidade, o fazer com, a comum-união e outras virtudes propriamente humanas são esquecidas ou mesmo evitadas. E ainda mais produz no coração humano o revanchismo desmedido e inconsequente.

Maria é o “trono da Sabedoria” (BOFF, 2009, p. 18). Ao contemplar a sua atitude diante dos desafios que enfrentara, encontra-se um manancial de vocação, amor e fidelidade ao ‘sim’ que manifestara ao apelo divino. Para superar o egoísmo que brota constantemente no coração humano, é bom recorrer à sua materna intercessão. Pois, ao olhar para os seus filhos e filhas amados, (com o mesmo olhar de serva humilde quando se dirigiu ao Pai), oriente-os afim de que superem as tentações da carne e se coloquem como “seguidores do caminho” (At 9, 2).

As mulheres e os homens que se colocam sob a materna proteção de Maria nutrem por ela um afeto filial e se espelham nela para superar as tribulações da vida. Esta relação filial entre os filhos e a mãezinha querida é estabelecida por meio das devoções populares “como o terço, as novenas, as promessas, as fórmulas de consagração, as romarias” que “são manifestações do coração” (MURAD, 2012, p. 209), dos seus filhos e filhas amados em virtude das graças alcançadas.

Fácil é encontrar histórias de pessoas e mesmo de comunidades que alcançaram grandes graças por intercessão da Virgem de Nazaré. Eis o relato de Haroldo Rahm (1985, p.96).

“Em 1737 terrível peste devastou o México de ponta aponta. Por toda a parte se fizeram penitencias públicas, procissões e preces. Só na Cidade do México centro da epidemia se fizeram setenta novenas solenes. Estava reservado a Nossa Senhora de Guadalupe restituir a saúde do país. Mal as autoridades civis e eclesiásticas começaram a deliberar a cerca da nomeação de Nossa Senhora de Guadalupe como Padroeira da cidade começou a peste a arrefecer. Quando esta notícia chegou às Províncias, todas cidades e aldeias castigadas fizeram votos de, também elas, tomarem Nossa Senhora de Guadalupe por padroeira e obtiveram proteção idêntica à que experimentara na capital” (RAHM, 1985, p. 96).

Este relato manifesta a confiança e a fé do povo mexicano na intercessão maternal de Nossa Senhora de Guadalupe, a ponto de dedicarem todo o País a sua proteção. Maria é solícita e atenta às necessidades de cada filho espiritual que a ela recorre em busca de alívio para corpo e para a alma.

Por meio da intercessão de Maria, Deus atende prontamente as súplicas dos seus filhos e filhas amados. Na festa de “casamento em Caná da Galileia” (Jo 2, 1-11), Maria se mostra atenta e percebe a carência de vinho e intercede em favor dos noivos, e Jesus atende suas súplicas. O papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2014, p. 225) disse que “como uma verdadeira mãe, ela caminha conosco, luta conosco e aproxima-nos incessantemente do amor de Deus”. Se num ambiente festivo ela salvaguarda a alegria da festa, quanto mais não salvaguardará a saúde a seus filhos em tempos de calamidade para a vida humana.

A crise instaurada pela pandemia do coronavírus exige dos cristãos e mesmo dos não cristãos a consciência humanitária. O observar as recomendações sanitárias de higiene pessoal e coletivas se tornam expressões de amor consigo e ao próximo. Assim, quem cuida de si mesmo, cuida e protege também a sua família e toda sociedade. Esta é uma característica da Virgem Maria. Ela se preocupa com todos. É prestativa e está sempre disponível para cuidar da vida e o bem comum. Em tempos de grandes tribulações é imperativo que os cristãos, sobretudo, os católicos se aproximem mais de Deus, por meio da oração, seja ela pessoal, familiar ou em comunidade. O importante é se conectar com o sagrado por meio de súplicas.

A oração que brota espontaneamente do coração coloca a pessoa em contato com as suas realidades mais íntimas. Neste momento é oportuno fazer uma reflexão pessoal e pedir a Deus o perdão para as faltas do dia-a-dia, agradecer por tudo que generosamente ele provê para o bem do homem, suplicar em favor das necessidades pessoais e comunitárias, sem esquecer-se das pessoas em situação de rua, os indígenas, os quilombolas, os povos nômades, os que vivem nas periferias das grandes cidades e por todos os que carecem de proteção contra os males deste mundo.

As devoções marianas são um importante canal de ligação espiritual com o divino. Em geral as devoções “tem grande força simbólica e ritual” (MURAD, 2012, p. 208), sendo memorizada com facilidade e garantindo ao crente maior domínio e segurança para rezar. “É como se o ritual tivesse uma potência mágica, cujo segredo reside na disposição das palavras e dos gestos” (MURAD, 2012, p. 209).

Na carta para o mês de maio, endereçada aos católicos, o papa Francisco diz: “pensei propor-vos a todos que volteis a descobrir a beleza de rezar o Terço em casa, no mês de maio. Podeis fazê-lo juntos ou individualmente: decidi vós de acordo com as situações, valorizando ambas as possibilidades. Seja como for, há um segredo para bem o fazer: a simplicidade; e é fácil encontrar, mesmo na internet, bons esquemas para seguir na sua recitação”.

Em virtude do sim de Maria ao projeto salvífico de Deus, ela participa da missão de Jesus (ser o mediador entre Deus e o homem).  Quando se recorre às intercessões de Nossa Senhora, ela aponta diretamente para o Cristo, pois a sua vida está voltada exclusivamente para aquele que ela santamente concebeu. Por isso, os cristãos podem e devem reclamar com confiança, fé e amor os méritos da Virgem Maria, em todos as circunstâncias de suas vidas, com a segurança de que ela escuta atentamente a cada pedido e cada oração recitada e meditada no coração dos fiéis e as deposita diretamente nas mãos de seu Filho, Cristo Jesus.

 

REFERÊNCIAS

BOFF, Clodovis. Mariologia: Iniciação à Teologia. ___. Introdução geral à Mariologia. 7. ed. Petrópolis: Vozes. 2019. p.18

BIBLIA. N.T. Bíblia Sagrada. Tradução Oficial CNBB. 1. ed. São Paulo: Edições CNBB. 2018.

BOFF, Clodovis. Mariologia: Iniciação à Teologia. ___. Maria no Novo Testamento: Mariologia em Lucas. 7. ed. Petrópolis: Vozes. 2019. p.45

FRANCISCO, Papa. Evangelii Gaudium. ___. Evangelizadores com Espírito: Maria a mãe da evangelização. 1ª. ed. São Paulo: Paulinas. 2014. p. 225

FRANCISCO, Papa. Carta do Papa Francisco a todos os fiéis para o mês de maio de 2020. Disponível em: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/letters/2020//documents/papa-francesco_20200425_lettera-mesedimaggio.html.> Acesso em: 02/05/2020.

MURAD, Afonso. Maria: Toda de Deus e Tão Humana. ___. Maria na Devoção e na Liturgia: Maria e as “Nossas Senhoras”. 1. ed. São Paulo: Paulinas.  2012. p. 208

MURAD, Afonso. Maria: Toda de Deus e Tão Humana. ___. Maria na Devoção e na Liturgia: Devoção, Continuidade e Renovação. 1. ed. São Paulo: Paulinas.  2012. p. 209

RAHM, Harold. Mãe Das Américas.___. Progressos da Devoção. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola. 1985. p. 96

O sepulcro passou!

A lógica da cruz é misteriosa, pois anestesia a ideia de felicidade difundida em nosso mundo (FRANCISCO, 2018, p.82). São Paulo nos aponta para o alto, onde o Senhor está vitorioso, e lá, a nossa “vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3, 3). São Boaventura já dizia que “a nossa lógica” leva a uma alegria eterna e não de aparências. Não pertencemos mais às sombras da antiga culpa. Para os judeus, o sábado passou e agora, o povo pode voltar as suas tarefas. Mas há algo diferente: as mulheres ao visitarem o túmulo de Jesus testemunham a inexistência do corpo do Mestre. O sepulcro se tornou lugar de passagem. A natureza “treme”, pois o “grão que caiu na terra, produziu vida (Jo 12,24), e assim, todos podem “ter vida em abundância” (Jo 10,10). Aquele túmulo frio, sem vida, agora se encontra vazio. O anjo que surge na cena da ressurreição não tira a pedra, mas comunica que a vida venceu a morte. A alegria foi superior ao desespero. Os guardas tremem, pois de fato, os sistemas a que estão “atados” não deixam que os mesmos vivam o ideal cristão. O medo impossibilita as relações fraternas e leva à morte. Porém, o que aquelas mulheres veem agora gera um sentimento de muita alegria e o Senhor as pede: “Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia, lá me verão” (Mt 28,10).

A ressurreição de Jesus é motivo de alegria e exultação (Sl 118, 24), pois a todos que Ele se manifesta, tais alteram profundamente o seu viver. Páscoa é passagem, é caminho de mudança, transformação. Requer muitas vezes dores inimagináveis e dias de luto; todavia, Cristo foi fiel e por ser fiel, dignificou-nos novamente. Do Éden que outrora fomos expulsos (Gn 3,23), Jesus nos apresenta um novo jardim. As coisas antigas ficaram e com elas precisamos junto ao Mestre prosseguir. Mais uma vez Ele estará conosco e vitorioso, a morte já não usa mais de seu aguilhão (1 Cor 15,55).

Com o auxílio e cuidado de todos aqueles que querem o bem, venceremos esta pandemia e além disso, deixaremos para trás o “perigo da onipotência humana” (CANTALAMESSA, 2020) que extermina a vida e não a deixa germinar, pois onde o “vírus da morte” aparece, temos “de novo o jugo da escravidão” (Gl 5,1).

Portanto, tenhamos coragem, pois como Ele venceu o mundo (Jo 16,33), nós também conseguiremos sair desta situação temorosa. Eis a nossa certeza: Ele nos amou e por nós se entregou (Gl 2,20). Tenhamos uma Páscoa de esperança em tempos novos e abracemos esta certeza. Aleluia, aleluia.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA DO PEREGRINO. 3 ed. São Paulo: Paulus, 2011

BÍBLIA SAGRADA. Tradução Oficial da CNBB. 1 ed. Brasília: CNBB, 2018.

CANTALAMESSA, Raniero. Pregação da Sexta-feira da Paixão do Senhor. Roma, 2020. Disponível de: <https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-04/pregação-sexta-feira-paixao-raniero-cantalamessa-vaticano> Acesso em 11 Abr. 2020

FRANCISCO. Gaudete et Exsultate: sobre o chamado à santidade no mundo atual. São Paulo, Paulus, 2018.

“Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rm 12,12)

“Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rm 12,12)

O momento que vivemos requer de nós um olhar de cuidado e empatia para com os que sofrem. São tempos difíceis que geram em nós o sentimento de angústia, dúvida e desespero.
Mas nunca devemos perder a confiança em Deus; Ele sim está sempre ao nosso lado, como um pastor que cuida das suas ovelhas. “Como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10, 15).
Neste Domingo de Ramos iniciamos a Semana Maior da fé católica, a Semana Santa. Este ano vamos vivê-la de maneira diferente, em nossas casas. Mesmo sem a oportunidade de vivenciar as celebrações nas igrejas, as grandes procissões, os teatros da paixão e tantas outras programações comuns nesse período, não percamos o encanto por Jesus. Façamos nós a nossa Semana Santa. Soframos com Jesus, morramos com Jesus e acima de tudo, Ressuscitemos com Ele. “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Em meio à escuridão, busquemos a luz. A luz que é Jesus, que guia nossos passos e nos conduz à alegria, uma alegria plena e verdadeira. Deus jamais esquece a aliança que fez conosco; que assim também nós não esqueçamos dessa aliança. “vós, que temeis o Senhor, tende confiança nele…” (Eclo 2,8).
Continuemos em constante oração, tendo sempre confiança no Senhor, e acreditando em sua poderosa misericórdia.

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,31) – Um olhar sobre a realidade

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,31)

A antiga e tão jovem Palavra de Deus se faz sempre contemporânea aos homens e mulheres de cada tempo da história. Nos dias atuais, com o presente surto causado pela pandemia do Covid-19, uma das formas mais eficazes de cumprirmos este mandamento do Senhor de amor ao próximo é, nos resguardarmos todos dentro de nossos lares. Sim, obedecendo às normas estabelecidas pelas autoridades de nossos tempos com relação aos devidos cuidados a serem tomados. Isso é sem dúvida, uma forma de amor próprio e amor ao próximo.

A genuína e autêntica liberdade é expressa não só pelo ato de sermos responsáveis por nós mesmos, mas em também nos sentirmos corresponsáveis pela causa do outro. A causa do amor ao próximo e o zelo com ele é sempre uma urgência inadiável. Este princípio de alteridade, torna o homem mais humanizado, capaz de, desprendido das amarras egocêntricas, conseguir enxergar no horizonte da vida a presença do próximo como uma extensão de um outro eu.  É preciso que no meio de todo este caos vivido nos dias atuais, encontremos um motivo real que nos faça aceitar a reclusão,bem como as devidas precauções,sem preconceito ou arrogância, esta causa é, sem dúvidas, o amor. Somente o amor leva o ser humano à obediência. Amar é a única razão pela qual alguém consentesubmeter-sea situações racionalmente incompreensíveis no presente momento.

Não se deve jamais interpretar este sombrio momento como um castigo de Deus, por alguma falha provindo da miséria humana. Não! “Deus é amor” (1Jo 4,8), e o amor não se interessa em castigar, não se regozija com o sofrimento, mas versa-se em acolher, educar e salvar o gênero humano em sua inteireza. Em meio a toda tempestade desta pandemia que assola diversos povos, deve-se buscar enxergar um sinal da graça de Deus. Não que Ele tenha querido ou planejado tal atrocidade, mas mesmo em meio às tempestades, a voz do Criador fala às criaturas. Nos momentos de ruas, shoppings e até mesmo universidades vazias, os lares estão povoados; os templos, desde os pequenos às grandes catedrais, encontram-se vazios, os lares se tornam templos de oração, um lugar de encontro com o Sagrado; as mesas dos restaurantes encontram-se vazias, mas nas mesas dos lares, esposo e esposa, pais e filhos, poderão tomar juntos as refeições, poderão olhar nos olhos, dialogar sem a pressa dos ponteiros do relógio. Talvez agora, diante do presente caos lá fora, dentro de casa torna-se possível o encontro familiar tão protelado e impossível de se acontecer por decorrência dos horários incompatíveis, muitas vezes causados pelo sistema consumidor.

Sabemos o quão desolador tem sido estes dias vividos de tribulações. É preciso cuidar para que estas realidades não nos façam cair em um abismo de desesperança. É dever de todos nós, homens e mulheres de boa vontade, cumprirmos com as obrigações que nos são incumbidas e lançarmos nosso olhar a Jesus, Ele foi a esperança do Pai para redenção da humanidade, e é a nossa esperança para vencermos vigorosamente as adversidades. Devemos, pois, fincar nossa confiança no Senhor do alto da Cruz, Ele é nossa esperança e como bem diz o Apóstolo: “a esperança não decepciona” (Rm 5,5).

Todos nós, peregrinos neste mundo, enquanto marchamos rumo à Jerusalém celeste, estamos sujeitos às realidades muitas vezes pavorosas e dolorosas que se nos apresentam, contudo, não devemos temer, pois não estamos sós, nosso Senhor nos prometeu sua companhia até que o tempo se consuma (Cf Mt 28,20) e Aquele que É a Verdade, jamais nos enganaria. Em meio ao medo dos ventos tempestuosos, só há uma maneira de não perdermos a felicidade que o Criador implantou em nós desde a criação: confiarmo-nos ao Senhor. Pois como bem disse o Salmista no refrão; “É feliz quem a Deus se confia” (Sl 1). É preciso confiarmos sempre no Senhor, inclusive quando nossas capacidades se tornam incapazes. Confiemos n’Ele, ainda que o medo faça nossos passos vacilarem, mas que nossa fé encoraje nosso espírito a firmar-se no Senhor, nosso Rochedo.

Por fim, contemos sempre com a força da graça de Deus e com a fiel intercessão de Maria Santíssima, a Mãe do Senhor da Cruz e de todos os peregrinos da terra. Que Ela rogue por nós a seu Filho, para que o amor e o zelo ao próximo nunca nos falte.

Seguidores ou PERseguidores?

Seguidores ou PERseguidores?

“Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4,19). A todas as pessoas de boa vontade que, pela Igreja de Cristo, receberam a graça do Batismo, este apelo de Jesus se faz sempre novo: o Senhor, Bondoso Mestre, chama-nos a segui-Lo. Mas, nos tempos hodiernos poder-se-ia alguém perguntar: mas como segui-Lo se não O estamos enxergando? A resposta será imediata e convicta: o Cristo de Deus permanece presente no mundo através de sua Santa Igreja, uma vez que a Igreja é o Sacramento de Cristo, ou seja, seu sinal visível no meio dos homens. Portanto, o caminho do discipulado a Jesus, começa na Igreja e segue mundo a fora.
Em sua santa sabedoria, Jesus escolheu Pedro para conduzir sua Igreja em seu nome e deu-lhe o poder de estabelecer a comunhão entre o céu e a terra (cf. Mt 16,18-19). E Pedro, o primeiro Papa, assim o fez conduzido pela força do Espírito Santo. Desde Pedro, muitos outros homens de coragem, escolhidos pelo Espírito Santo, guiaram a Barca de Cristo por este mundo dilacerado por discórdias. Hoje, LEGITIMAMENTE, o Pedro a guiar a Barca de Cristo que é a Igreja, é o Papa Francisco, homem de Deus, que com o farol do Espírito vem lutando para clarear as vistas de tantos homens perdidos na escuridão do egoísmo e ignorância.
Percebemos nas celebrações litúrgicas que nossos templos estão cheios, bancos sem espaços. Mas, após ler, ouvir e presenciar tantos ataques à Igreja e ao Sumo Pontífice, paira uma pergunta: as capelas estão cheias de seguidores ou perseguidores? Muitas pessoas que se intitulam católicas e que inclusive são batizadas, vão às Celebrações litúrgicas, mas mal saem pela porta e já começam a difamar a Igreja. Pessoas que cultivam tal costume, vão de fato à Igreja, mas não são seguidoras e sim perseguidoras. Este tipo de comportamento jamais parte de quem optou genuinamente seguir a Jesus, pelo contrário, é como um retrato bem pintado dos fariseus que iam atrás de Jesus perseguindo-o no intuito de tramar ciladas contra Ele.
Percebe-se ainda nos tempos atuais, pessoas que leram uma página do Catecismo, do Código de Direito Canônico ou de algum documento da Igreja e já se sente doutoras para tecerem críticas desfundamentadas à Igreja. Alguns, em suas infidelidades aos bons modos e à ética, se referem ao Papa Francisco com vocábulos inescrupulosos. Ninguém é obrigado a concordar com todas as ideias do Santo Padre, porém, todos os católicos que gozam de boa consciência devem prezar pela unidade da Igreja. Caluniar o Papa, difamar a Igreja e criar situações de divisão, é ir contra a prece de Jesus: “que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós” (Jo 17,21). Partindo dos princípios evangélicos, entende-se com distinção que a universalidade da Igreja de Cristo, tem por objetivo unir todos os povos. Portanto, nunca, jamais um católico deve ser causador de contendas e semeador da discórdia. Somos chamados à levarmos nos lábios a Boa Nova de Jesus e proclamar o tempo da graça do Senhor e jamais difundir as práticas farisaicas.
Que o Senhor, Bondoso Mestre, nos ajude a sermos melhores cristãos e que Maria, Mãe da humanidade interceda por nós, para que seguindo seu amadíssimo Filho, possamos nós percorrer os caminhos da fraternidade.

EU APOIO O PAPA. EU REZO PELO SÍNODO

Apóstolos, isto é, enviados, por vocação, para o anúncio do Evangelho de Deus, que é Jesus Cristo encarnado, morto e ressuscitado, pela força do Espírito Santo, para a nossa Salvação. Por este Evangelho fomos escolhidos, “Batizados e enviados”, para trazermos à obediência da fé todos os povos pagãos, os povos que ainda não conhecem a Jesus Cristo (cf. Rm 1,1-6). Dentre estes povos estamos nós e está também os povos da Amazônia, para os quais a Igreja nestes dias dirige a sua total atenção em Sínodo em vistas de discutir e descobrir caminhos novos para a evangelização daqueles povos e para uma ecologia integral.

Este Sínodo tem gerado muitas discussões e até divisões dentro da Igreja. Não muito diferente da época em que Paulo pregou o Evangelho, quando, por exemplo, os fiéis cristãos de origem judaica se sentiam a verdadeira essência da mensagem cristã e queriam fazer pesar sobre os fiéis cristãos de origem grega os mesmos compromissos que, certa vez, lhe pesaram o judaísmo: a circuncisão e a observância estrita da Lei. Para resolver este problema, os apóstolos se reuniram de maneira sinodal: o Concílio de Jerusalém, e decidiram, o Espírito Santo e eles, que o essencial não são os rituais da cultura judaica, mas a fidelidade a um único Deus revelado de forma plena a Jesus Cristo. Os preceitos judaicos passaram, o que conta é a liberdade conseguida por Cristo: liberdade para escolher amar e servir a este Deus, em Jesus Cristo, no interior de qualquer cultura em que o Evangelho alcançasse, purificasse e enriquecesse com a Sua graça, mas não eliminasse, para transformá-la em outra cultura que se considerasse superior (cf. At 15,1-29).

Jesus Cristo derramou o Seu Sangue na Cruz também pelos povos da Amazônia, para a salvação deles e para que eles fossem igualmente conduzidos ao verdadeiro Deus e à verdadeira vida. Contudo, como em Pentecostes, as maravilhas de Deus devem ser anunciadas também na língua daqueles povos, para purificar e enriquecer sua cultura, mais voltada à ligação e o cuidado com a terra e com aquela Floresta que é tão importante para a humanidade. E assim eles também possam vir à obediência da fé (cf. Rm 1,4), e levar a esta obediência de fé todos os seus conterrâneos. Como diz o Salmo 97: “Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus”. Também àqueles confins deve-se ecoar de maneira sempre nova, adaptada, eficaz, o Evangelho de Jesus Cristo, e é nossa missão de batizados fazer cumprir esta missão. Por isso, devemos apoiar o Papa, rezar pelo Sínodo para a Amazônia. Se não podemos ir até lá e ser missionários entre aqueles povos, devemos pelo menos rezar pelos que já estão lá e fazem este trabalho. Devemos rezar pela Igreja, para que permaneça fiel à sua vocação de evangelizar e se converta, dia a dia, na Igreja “em saída”, misericordiosa e pobre, à qual convida o Papa Francisco, inspirado pelo Espírito Santo, que o conduziu ao ministério petrino.

Digamos não à guerra entre nós! Não à divisão, que vem do Maligno! Não escutemos estes “profetas da divisão” que falam contra o Papa, contra o Sínodo, contra a CNBB, contra a Igreja. Eles não são nossos pastores! Jesus escolheu a Barca de Pedro para nela ficar e a partir dela anunciar o Seu Evangelho. Quem conduz a Barca de Pedro hoje é Francisco. Não há outro modo de ser verdadeira Igreja de Cristo senão pela união com o Papa. E aquele que está na Barca de Pedro tem a garantia divina de que Cristo está nela.

O verdadeiro sentido da vida

O verdadeiro sentido da vida

Num momento oportuno da história, ainda sem nenhuma ideia de ressurreição, a existência foi tida como absurda. Em Eclesiástico 40, percebe-se a “penosa sorte” dada a cada indivíduo, visto assim como uma cruz complicada para se carregar. Tal realidade é comum a todos, nem mesmo aquele que a tudo tem, não fica imune a tamanha realidade absurda da vida. No descansar da noite, o homem “fica perturbado pelos fantasmas de sua mente, como quem fugiu da linha de batalha” (Eclo40, 6b) mas, ao despertar, se vê novamente defronte com seus inúmeros desafios a enfrentar.

O verdadeiro sentido da vida acontece na fiel temeridade a Deus. Porém, escolhê-Lo nem sempre é tarefa fácil. Num mundo marcado por tantas formas de alienação, uma cultura segundo os ideais do consumo é tida como a garantidora da felicidade. Será? O Documento Final da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, “Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional” (2019, p.28-29) relata que “está crescendo, especialmente entre o jovens, a disseminação de formas de sofrimento psíquico, depressão” e o texto ainda fala acerca “do trágico fenômeno do suicídio.”Qual o motivo? Perceba a contradição a que chegamos: as pessoas estão “vazias” com o tudo dado a elas.

Tornar o coração repleto da graça é permitir viver uma vida voltada a Deus (cf. Hb 12, 9b). Por isso, desejar a autossuficiência é impossibilitar a autêntica condição humana a que cada um fora chamado: a de ser feliz com o outro! É fundamental vivermos em comunidade, e isso requer que “amemo-nos uns aos outros, […] e todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus.” (1 Jo 4, 7)Juntos, em comunidade, teremos a força para levarmos nossas cruzes. A alegria do cristão é resultado do bom humor. O oposto “não é um sinal de santidade,” já fala o Papa Francisco (2018, p.61) e assim, é preciso retirar toda a angústia presente no coração e se afastar de qualquer mal (cf. Ecl 11,10). Papa Francisco (2018, p.62) ainda diz sobre “àquela alegria que se vive em comunhão, que se partilha e comunica.”

Portanto, Jesus pede que frente a todas as condições temerosas da vida, o ser humano possa se levantar e erguer a cabeça (cf. Lc 21, 28) para que desta forma ele prossiga na sua caminhada lidando com todas as suas adversidades. No fim, assim como São Paulo, poderemos dizer que “o Senhor ficou comigo e me encheu de força, a fim de que eu pudesse anunciar a mensagem e ela chegasse aos ouvidos de todas as nações” (2 Tm 4, 17). Que o nosso pessimismo possa ser transformado em esperança, e esta, possa ser encontrada no Senhor.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA SAGRADA, Edição Pastoral. 45 ed. São Paulo: Paulus, 2002

FRANCISCO. Gaudete et Exsultate: sobre o chamado à santidade no mundo atual. 1 ed. São Paulo: Paulus, 2018

SÍNIDO DOS BISPOS. Os jovens, a fé e o discernimento vocacional: Documento final. 1 ed. São Paulo: Paulus, 2019

 

Decida-se pela alegria duradoura!

A Igreja reza no mês de agosto de forma particular pelas vocações e assim, sendo ela intermediadora da graça divina, conclama seus fiéis a se colocarem em serviço. O Salmo 25 canta a mudança de vida do pecador. Ao sair de uma condição de vergonha para um caminhar junto ao Deus que “ensina aos pobres o seu caminho” (v.9b), o Senhor mais uma vez espera por respostas que surgirão do encontro com aquele que estava perdido e agora inicia sua trajetória nesta jornada. Decidir-se pelo itinerário proposto pelo Senhor é se deixar tocar por sua ação e confiar que de sua força virá as palavras necessárias quando eu precisar (cf. Jr 1, 9). Optar-se ao seguimento do Mestre nos provoca a viver de forma despreocupada com o amanhã: “Basta a cada dia a própria dificuldade” (Mt 6, 34c). Ele não isenta a ninguém dos obstáculos da vida, mas provoca a se ter confiança, a fazer o percurso passando pela porta mais estreita, a ser aquele seguidor que tem prudência e no Senhor é chamado a fincar suas bases. (cf. Mt 7,7-27)

Decidir por algo é renunciar outras coisas. Tais escolhas poderão não corresponder com os anseios do mundo. Em meio a tantas fragmentações do ser humano, falar numa cultura vocacional é indicar “um caminho necessário para a construção unitária da pessoa” (Texto-base do IV Congresso Vocacional do Brasil, 2018, p.15). Os muitos problemas vividos pelos homens atualmente se contrapõem ao ideal proposto por Jesus ao descer da montanha. Sua mensagem é de esperança, para que no fim possam ser felizes, pois o desejo por um mundo novo implica em denunciar a certas atitudes contrárias ao amor divino (cf. Lc 6, 17-26). A realização deste intuito de Cristo acontece em nossas famílias, comunidades, sociedade, todos os dias, pois são nos pequenos gestos de conversão que se decide andar no caminho do Pai. Todos são convocados a serem propagadores desta graça. “A descoberta da vida como dom recebido de um Pai amoroso e providente provoca surpresa e maravilha na pessoa” (Texto-base do IV Congresso Vocacional do Brasil, 2018, p.17). Assim como São Paulo nos diz para agradecermos sempre (1Ts 5,18), sejamos colaboradores de um mundo mais grato e feliz, com mais esperança e menos pessimismo, e logo, mediante as realidades de tristeza, (Eclo, 38,20) tenhamos a força necessária para dar ao nosso coração a certeza de termos um Deus amigo, que não nos abandona, porque ele é Pai. Decida-se pela alegria que dura mais!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BÍBLIA SAGRADA.Edição Pastoral. 45 ed. São Paulo: Paulus, 2002
PASTORAL VOCACIONAL DO BRASIL. Texto-base do IV Congresso Vocacional do Brasil. Brasília: Edições CNBB, 2018